Hoje, após um período de sérias decepções, parei para fazer a seguinte reflexão: "na verdade, quem somos nós?" Não falo daquele dilema eterno do "de onde viemos, para onde vamos", ou se sou resultado da evolução milagrosa de uma costela ou de um macaco... Não, na verdade falo de um dilema muito mais complexo e mais próximo: "Quem somos nós, profissionais do terceiro setor?" Ou melhor, "o que estamos nos tornando?".
Vejo ONGs que contam com profissionais que, antes mesmo de pensar no problema a ser enfrentado, pensam no quanto vão ganhar na comissão do projeto. Me revolto a cada vez que clientes, ou meu superior na assessoria onde trabalho me diz:" faz aí um projeto...qualquer coisa aí, porque tem um recurso não sei onde...". Onde está a finalidade essencial do terceiro setor? Onde estão as pessoas? As que precisam de ajuda? Bem, parece que ficaram em segundo, terceiro plano. Vejo grandes somas em dinheiro serem negociadas; cargos que antes eram de filantropos, idealistas, sendo preenchidas por aqueles que possuem "certa visão política" coerente com a de fulano, com a de beltrano. Me deparo com jovens que se dizem projetistas, festejando enchentes e outras desgraças, porque sabem que grandes somas de dinheiro serão disponibilizadas.
Aqui mesmo, no estado onde moro,em Cocal, tivemos uma barragem que rompeu. Um acidente horrível, de proporções ainda não calculadas pelo Governo. Famílias destruídas, crianças que foram levadas pela força das águas, histórias que foram apagadas pela força da verdadeira tsunami que aconteceu no norte do Piauí. Povoados foram simplesmente apagados. Só sobraram uma terra infértil, água contaminada e uma população sem esperança, sem terra, sem nada. Sabe o que os técnicos em projetos dizem: " é... vai rolar muito dinheiro para Cocal". Esperem aí! Parem tudo! O meu horror me paralisa. Tenho vergonha disso!
Vejo denúncias de ongs que desviam dinheiro, de projetos que não tem planejamento, de jovens que participam de ações inventadas, sem discussão com a comunidade, sem a análise real do que já existe. E afirmo: a fiscalização das ONGs é algo mais do que urgente.
Conheço profissionais sérios do terceiro setor, poucos, mais conheço. Mas o que vejo são jovens equivocados, que veem cifras ao invés de pessoas, e políticos e aspirantes a políticos que veem nas demandas sociais uma perspectiva individual de alavancar-se socialmente, economica e politicamente.
POr isso me pergunto: quem é mesmo o profissional do terceiro setor? Onde está a nossa identificação, a nossa marca, o nosso juramento, o nosso código de ética. Somos gestores, somos projetistas (como muitos chamam), somos articuladores, captadores? Quem somos? e pergunto mais: " para onde vamos?"
Bons trabalhos a todos. Amor, ética, respeito e dedicação sempre.
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terça-feira, 23 de junho de 2009
terça-feira, 15 de julho de 2008
Impressionada!
Quero dar os parabens ao Ministerio do Turismo, que divulgou edital de patrocínio de projetos com base na economia solidária. Outros parabéns pela celeridade impressionante do processo. Os projetos serão enviados via correios (não há opção de envio pela internet)com prazo até o dia 18 deste, e o resultado sairá no dia 25 do mesmo mês. Dia 18 cai numa sexta. Sabemos que no serviço público nao se trabalha nos fins de semana. Então, segundo os meus cálculos a comissão terá 4 dias para analisar os projetos para poder publicar o resultado no dia 25. Imagino que serão enviados projetos de todo o Brasil, e, devido ao montante do recurso a ser solicitado ( A PARTIR de R$ 100.000,00), os projetos terão um certo nível de complexidade, orçamento a ser analisado com cautela etc, além do histórico das organizações. Impressionada com tamanha agilidade (incomum),não poderia deixar de registrar esta particularidade do edital do Ministerio do Turismo, que com certeza, no prazo de 4 dias, vai analisar estes projetos com todo o cuidado que eles merecem.
Crítica
Ontem foi realizado no auditorio do BNB uma oficina gratuita de elaboração de projetos. Auditório compatível, poucas pessoas... bom material, pastinha e tudo mais. Mas o palestrante. Como pode? O profissional sai de sua casa para ver um cidadão que nao entende nada de projetos ler um edital e dizer na sua cara, quase gritando, como um professor de primário, com a voz esganiçada (detalhe: este portava um microfone): " qualquer dúvida, é só ir lá no edital. Ò... lááááa´no editaaaaalllll, na internet. Tem tudo lá!!!" Então por que raios eu fui mesmo para esta oficina?
O palestrante, aliás, o leitor de data show, permaneceu lá...lendo em voz alta ... faltava dizer assim: o edi... e a turma responder: taaaalll. Os presentes mais experientes permaneciam estáticos, esperando q algo acontecesse. Talvez um espaço em que o cidadão olhasse para trás e abrisse um espaço para alguma pergunta. Os recém- chegados no mundo dos projetos anotavam tudo que estava escrito no data show.
Eu, preferi seguir o conselho do nobre palestrante, me retirei e fui tirar as minhas dúvidas na internet. Afinal, "está tudo láááá". Sempre fui uma boa aluna.
Um bom dia a todos. E apesar dos pesares da profissão, um bom trabalho.
O palestrante, aliás, o leitor de data show, permaneceu lá...lendo em voz alta ... faltava dizer assim: o edi... e a turma responder: taaaalll. Os presentes mais experientes permaneciam estáticos, esperando q algo acontecesse. Talvez um espaço em que o cidadão olhasse para trás e abrisse um espaço para alguma pergunta. Os recém- chegados no mundo dos projetos anotavam tudo que estava escrito no data show.
Eu, preferi seguir o conselho do nobre palestrante, me retirei e fui tirar as minhas dúvidas na internet. Afinal, "está tudo láááá". Sempre fui uma boa aluna.
Um bom dia a todos. E apesar dos pesares da profissão, um bom trabalho.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Primeiras recomendações
Apesar de existirem muitas ONGs constituídas no estado do Piauí, há ainda uma deficiência acerca da arrecadação de recursos, principalmente recursos oriundos da iniciativa privada. Muitas vezes a falta de informação, a ausência da documentação adequada e de qualificação legal são os grandes entraves para arrecadação de recursos para o terceiro setor no estado.
É importantíssimo que a ONG, ao pleitear recursos para um projeto, esteja devidamente regularizada (com CNPJ) e de preferência, que já realize atividades dentro dos seus objetivos estatutários (importante atentar se os objetivos da entidade são os mesmos exigidos no edital de financiamento)há pelo menos um ano (alguns financiadores colocam o tempo de atividades como condiçao para a participação do certame).
Algumas entidades financiadoras também exigem determinados certificados como de Utilidade Pública, de OSCIP, Certidão do Conselho Municipal da Criança etc.
Importante que, sem a documentação exigida no edital, o projeto não terá nenhuma chance de ser aprovado. Portanto, mãos à obra e olho na documentação. Esse é o primeiro passo do seu projeto.
Boa sorte!
É importantíssimo que a ONG, ao pleitear recursos para um projeto, esteja devidamente regularizada (com CNPJ) e de preferência, que já realize atividades dentro dos seus objetivos estatutários (importante atentar se os objetivos da entidade são os mesmos exigidos no edital de financiamento)há pelo menos um ano (alguns financiadores colocam o tempo de atividades como condiçao para a participação do certame).
Algumas entidades financiadoras também exigem determinados certificados como de Utilidade Pública, de OSCIP, Certidão do Conselho Municipal da Criança etc.
Importante que, sem a documentação exigida no edital, o projeto não terá nenhuma chance de ser aprovado. Portanto, mãos à obra e olho na documentação. Esse é o primeiro passo do seu projeto.
Boa sorte!
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